ATENÇÃO

Abra seu olhos!
Preste mais atenção a sua volta!
Há quem queira você cego! para que sejas melhor escravo.
O medo de ser livre é parte de tua escravidão.
O condicionamento político e religioso são as armas daqueles que querem que você os sustentem.
Verifique quando você se sente refém das circunstâncias, são armadilhas para escravidão.
A escravidão é algo sutil, está em nosso coração, e quanto mais escravo você for, mais escravos fará á sua volta.
(Rafael)

MACACOS CONDICIONADOS

O CONDICIONAMENTO!!!!!!


Argumentações sobre o condicionamento e estagnação.

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro macaco substituído participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o ultimo dos veteranos foi substituído. Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - "Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui". Você já parou para refletir sobre o mundo em que vivemos? Deparamo-nos continuamente com situações "idênticas"...Todo mundo agindo sem pensar, sem questionar...., lutando.... se degladiando.... para defender algum "status quo"... Apenas seguindo a maioria...... só acompanhando o "gado" !... E o que é mais triste... sem ao menos se dar conta disso.... Não devemos perder a oportunidade de pensar e refletir sobre essa pesquisa.... para que, vez por outra, nos perguntemos.... O que é que estamos "fazendo" uns aos outros?... Será que as coisas precisam continuar sempre assim ??
Extraído do site. www.litaurica.com

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sócrates na Guerra do Peloponeso.



Este singelo trabalho foi escrito por mim quando me aventurei ao Mestrado na PUC em 2002. Infelizmente não pude terminá-lo por falta de grana. O Educação de merda neste país, mas o trabalho está legal. Tem uma bibliografia bem razoável para quem se aventurar ler.
Abraço à você.

Sócrates

Do século VIII ao IV a.C.
E a participação de Sócrates nas guerras do século IV a.C.

Foi com grande dificuldade que a democracia ateniense se solidificou. Até meados do século VIII a.C Atenas viveu sob o regime monárquico e o governo concentrou o poder nas mãos da aristocracia: os eupátridas (pessoas de boa ascendência) e que por sua vez, poderiam participar do magistrado, com poderes supremos também eram membros do Aerópago ( colina de Ares).A aplicação da justiça era muito rigorosa. Apesar de as leis ainda não serem escritas, cabiam-lhes determinar a justiça apenas com que eles conheciam. Mediante a tais poderes o povo via-se submetido a situação
de penúria já que, até mesmo “Em época de colheitas escassas, os pequenos proprietários, sobretudo, viam-se obrigados a recorrer a eles para obter o alimento que lhes faltasse. Contraíam assim pesadas dívidas, não conseguindo salda-las, perdiam suas terras e seus direitos de cidadãos, acabando assim muitas vezes por tornar-se servos dos eupátrida, quase escravos”1
No século VII aC o povo de Atenas se rebelou contra aquela situação, e com ajuda dos eupátridas Drácon, Sólon, Pisístrato e Clístenes a aristocracia perdeu muito de seus privilégios e importantes modificações foram introduzidas na vida social e política de Atenas.
Drácon publica em 621 a.C as primeiras leis escritas, impedindo a arbitrariedade de seus antecessores, não obstante, as leis ainda eram bastante severas (draconianas), mas foi o primeiro passo para uma série de reformas importantes que até o século IV a.C seriam aperfeiçoadas com Péricles.
Sólon por sua vez, mais moderado em 594 aC realiza importantes reformas sociais, econômicas e políticas, como a proibição de escravização de pessoas endividadas, cancelou as dívidas dos pequenos lavradores, impulsionou o artesanato e introduziu um sistema monetário. A administração foi modificada, criou a Bulé de 400 membros ( com Péricles a Bulé passa para 500 membros) do qual participava a classe média. A Assembléia Popular – a Eclésia- era integrada por todos os cidadãos livres de Atenas, que poderiam rejeitar as propostas da Bulé, contudo, desta vez, os conflitos vinham de partidos políticos que Psístrato, o primeiro tirano, apoiado popularmente ( 560 aC) diminuiu ainda mais os poderes da aristocracia fortalecendo a democracia. Deu grande impulso à vida cultural, de infra estrutura sobretudo, desenvolvimento ao comércio marítimo da cidade, fato de grande significação, que mais tarde seria um vocação de Atenas e causa de grandes conflitos.
Atenas se projeta desta forma em toda Grécia, mas os tiranos não souberam manter o equilíbrio político e os sucessores de Psístrato foram finalmente expulsos da vida política ateniense dando lugar Clístenes, que ampliou a igualdade de direitos de seus cidadãos. “Dividiu a Ática em 100 demos e agrupou a população em 10 tribos territoriais. Aumentou para 500 os membros da Bulé, escolhidos por sorteio entre todos os cidadãos maiores de 30 anos, à razão de 50 membros para cada tribo territorial. Cada grupo de 50 administrava a cidade durante 36 dias. Ampliou também os poderes da Eclésia, da qual participavam todos os cidadãos atenienses com direito a voto. Além de aprovar ou rejeitar as leis propostas pela Bulé, a Eclésia passou a controlar as verbas e contas dos magistrados, adquirindo ainda o direito de declarar guerra e assinar tratados de paz. Clístenes introduziu também o ostracismo”2 .
No final do século V aC a democracia foi ainda aperfeiçoada sob o governo de Péricles “onde a Eclésia passou a congregar o povo todo, adquirindo poderes legislativos e administrativos soberanos.Completavam o governos de Atenas a Bulé e magistrados os quais cabia providenciar a execução das resoluções e medidas tomadas pela assembléia popular. Foi instituído o tribunal popular que decidia as questões de justiça.”3
As evoluções políticas, marítimas e culturais deram a Atenas a supremacia sobre as outras cidades gregas, e a possibilidade proporcionar uma elevada auto estima no imaginário do povo ateniense, e, portanto, o instrumental para superarem o que ainda, o destino lhes preparava.

Século IV a .C. e a participação de Sócrates em algumas batalhas.

O século IV a .C foi realmente privilegiado, pela presença de Sócrates e de Péricles (499-429). Péricles não foi um estadista qualquer, soube sempre primar pelo direito de todos, sejam cidadãos, escravos ou estrangeiros e procurou diminuir as contradições entre seus anseios ideológicos com a sua ação política, como indica Paul Petit:”...Péricles colocou a nobreza de sua estirpe e a fineza de sua cultura a serviço de idéias políticas relativamente avançadas: aristocrata de conduta e de gosto, foi ele democrata por razão, e concebeu o plano de governar pelo espírito, de elevar o povo ao seu nível,de fazer de sua pátria a escola da Grécia4”
Sua administração ainda com base clisteniana onde a Bulé5 (- assembléia) formada de 500 membros, organiza os negócios pertinentes à cidade e julga o magistrado. Com deveres legislativos pelos seus probouleumatas, a Bulé se reunia mais de 40 vezes por ano exprime diretamente a vontade nacional em todos os níveis da vida política. Tudo é organizado a fim de que não hajam distorções provenientes da corrupção, o magistrado, servidores do povo, tirados à sorte são eleitos após a docimasia ( controle moral) assim como os estrategos e tesoureiros são vigiadíssimos pois são responsáveis pela prestação de contas.
A democracia parecia ter um “espírito próprio”, sua intenção era dar aos seus indivíduos a melhor condição de vida possível onde todos pudessem participar da vida da cidade com responsabilidade, inclusive os escravos. “... esta democracia direta somente é viável quando limitada a pequeno número de participantes e beneficiários. De 400.000 habitantes, a Ática conta com 40.000 cidadãos masculinos e adultos, dos quais 5 ou 6.000 participam das sessões: trata-se dos ociosos de Atenas. Os ricos abstên-se, pois são em número demasiado pequeno para poderem agir, mas subsistem facções ( hetarias) de irredutíveis. Da vida política excluem-se os escravos, em número aproximado de 200.000, legalmente privados de qualquer direito, mas aos quais os costumes deixam uma situação bastante tolerável ( de fato, não de direito) tanto assim que Atenas jamais precisou enfrentar uma revolta”4

Insuficiência técnica e vida econômica

Apesar de Atenas ser um celeiro de cultura, em termos de tecnologia, visando o aprimoramento da economia, era ainda muito primitiva. A agricultura sofrida com um solo pobre e pedregoso em quase sua extensão, de geografia difícil , ficava quase impossível a Ática ter um avanço significativo que pudesse competir com os persas ou egípcios que já caminhavam a passos largos na tecnologia agrícola, assim Paul Petit define a situação de Atenas: “...as razões não são evidentes: falta de fontes de energia, presença do trabalho servil, desprezo do cidadão pelo trabalho manual e mesmo pelo comércio e , sobretudo, modicidade das exigências e dos padrões de vida...”5 nem ao menos o comércio é a base da economia de Atenas, da mesma forma o comércio marítimo não é o eixo da sua economia, mas as transações financeiras com as outras cidades é que ancoram a sua economia “O comércio aproveita de progressos mais aparentes ...nas técnicas financeiras, empréstimos a juros, trocas, títulos de crédito, tendência à unificação monetária pela progressiva supremacia do sistema ateniense sobre o egineta,graças às Ligas marítimas de Atenas e ao êxito de seu comércio, desenvolvimento dos bancos, seguros marítimos...”6 . Desta forma Atenas é uma cidade que não possui condições de se sustentar, necessita de uma política externa expansionista - colonizadora para manter sua sobrevivência e hegemonia, e é este fator econômico a causa da guerra do Peloponeso, onde as cidades sentiam-se ameaçadas pelo imperialismo econômico ateniense.
A guerra do Peloponeso foi de grande importância para este período do século IV a. C porque marca algumas passagens importantes de Sócrates além de suas conseqüências históricas.
Esparta não aceitava a supremacia ateniense. Como, além disto, haviam diferenças significativas entre Atenas e Esparta do ponto de vista político já que, Atenas tendia para democracia e Esparta assentava sua política nas oligarquias, a tensão marcava o relacionamento entre ambas, bastando um pequeno incidente para iniciar uma guerra.
Quando Atenas apoiou a revolta de Corcira, colônia de Corinto, aliada de Esparta, a guerra tornou-se inevitável. Na primeira fase (431-421) “Sócrates toma parte na expedição de Anfípolis a respeito da qual não temos nenhum pormenor” Jean Brun faz uma outra citação em que Sócrates participa neste primeiro momento “Sócrates tomou parte em três campanhas militares na qualidade de hoplita, isto é de soldado de infantaria. No princípio da guerra do Peloponeso está no cerco de Potidéia, em Calcídica, de 432 a 429. Aí teve Alcibíades como companheiro de armas, salvou-o quando este, ferido, estava prestes a cair nas mãos dos inimigos...” houve certo equilíbrio entre as partes. Os espartanos invadiram a Ática, destruíram as culturas de vinha e oliva, obrigando a população a se refugiar dentro dos muros de Atenas. A superpopulação, em más condições de higiene e de alimentação, foi atingida por uma peste, de que foi vítima o próprio Péricles “...Além do mais, a infelicidade de Atenas fez com que Péricles...desaparecesse em 429.. fez bastante mal a Esparta chegando a capturar, em Espactéria, um corpo de 120 espartanos, inaudito desastre”..! Entre este momento, ou seja, do desaparecimento de Péricles e o tratado de Nicéia, Sócrates faz uma nova incursão de guerra para a felicidade de Xenofonte “Em 424, cinco anos depois da peste de Atenas, encontramos Sócrates na batalha de Délion onde as tropas atenienses são esmagadas pelos Tebanos. É lá que Sócrates salva a vida a Xenofonte que não era capaz de se livrar do seu cavalo que tinha caído sobre ele. Sócrates livrou-o deste mau momento e transportou-o sobre os seus ombros durante um longo trajeto a fim de o subtrair aos inimigos....” Alcibíades descreve-nos Sócrates durante a retirada.”... Foi aí que, melhor que em Potidéia, eu observei Sócrates -pois o meu perigo era menor, por estar eu a cavalo primeiramente quanto ele superava a Laquês, em domínio de si; e depois, parecia-me, ó Aristófanes, segundo aquela tua expressão,que também lá como aqui ele se locomovia “impando-se e olhando de través, calmamente examinado de um lado e de outro os amigos e os inimigos, deixando bem claro a todos, mesmo a distância, que se alguém tocasse nesse homem, bem vigorosamente ele se defenderia.Eis por que com segurança se retirava, ele e o seu companheiro; pois quase que, nos que assim se comportam na guerra nem se toca, mas é aos que fogem em desordem que se persegue...”Em 421, Nícias obtém uma paz de compromisso, que apenas podia ser uma trégua, para tomar fôlego,entretanto como Atenas também conseguiu algumas vitórias, suspendeu-se a luta: pela Paz de Nícias estabeleceu-se uma trégua de50 anos”.
A guerra, porém, foi reiniciada pelos atenienses, estimulada pelo ambicioso Alcibíades. Nesta fase da ofensiva ateniense (415-413 a.C), planejou-se a tomada da Sicília, participante do bloco espartano. No entanto, desorganizados por problemas internos, os atenienses foram derrotados de forma quase definitiva, perdendo toda sua frota e boa parte de sua população masculina.
A ofensiva espartana (413-404 a.C) encontrou Atenas já bastante enfraquecida, mas lutando com entusiasmo, “Após muitas peripécias, oscilava ainda a fortuna, quando surgiu Lisandro: Alcibíades, reconquistando o favor em Atenas, foi depois finalmente eliminado da vida política e, sem adversário à sua altura , Lisandro destruiu a frota de Cônom no Helesponto ( Egospotamós); apodera-se dos aliados ainda fiéis, empurra à sua frente colonos e cidadãos atenienses para a Ática e a cidade superpovoada, e vem cerca-la para dar-lhe o golpe final, no começo do inverno de 405-404...”
Lisandro desejoso de poder continuará, a batalha contra os persas, já que “Esparta assumia perante os olhos de todos, a sucessão de Atenas frente à Pérsia ” O apogeu de Esparta se dá no mesmo ano da morte de Sócrates em 399 a.C.

Sócrates

Sócrates é sem dúvida uma das figuras mais importantes da História da Filosofia. Sua influência se estende além do seu tempo e espaço fazendo-se presente nas mais diferentes correntes espirituais como lembra Etiene Gilson “... para interpretar corretamente certa afirmação de Erasmo, pois Justino justificaria de antemão o que há de verdadeiro na invocação tantas vezes citadas e tão diversamente interpretada do humanista: “Sancto Sócrates, rogai por nós” . Assim é bastante difícil fazer o levantamento da figura de Sócrates, até mesmo porque “...nós não sabemos quem foi verdadeiramente Sócrates...”
Do seu aspecto físico sabemos algumas coisas , mas sem dúvida é seu espírito que encanta, seus princípios e generosidade .
Quanto a escolaridade de Sócrates supõe-se que tenha instruído-se como tantos jovens do seu tempo “... ele teve que aprender a música, a ginástica e a gramática, isto é o estudo da língua apoiado por comentários...” além do mais, Sócrates é contemporâneo de Ésquilo, Sófocles e Eurípides além de ser o século de Péricles, onde a cultura se fazia alicerce para a democracia. Sobre a misteriosa pessoa deste filósofo como afirmou Francisco Wolf “... para nós a última saída, é o de nos agarrarmos a nossa única certeza: Sócrates , cidadão ateniense...”
A literatura é bastante franca em relatar Sócrates como um cidadão pobre , mas isso não lhe causava constrangimentos, pois, para ele, diferentemente do pensamento da maioria dos seus contemporâneos, sua preocupação maior era com a alma, o que parecia ser de fato, algo difícil de conceber, já que sua época, o físico e os trajes eram de grande importância e demonstravam o conteúdo interior.O filósofo parece inverter estes valores colocando as aparências exteriores em segundo plano.
Então,se o que é exterior está em segundo plano o que é interior deverá estar em primeiro plano. Assim, a questão da psyquê levanta um problema sem precedentes, e aí parece estar o cerne de toda problemática sobre Sócrates, não só sobre seu comportamento, que sugere justificativa para sua maneira de se apresentar ao mundo como também de apresentar o Homem ao mundo “Vimos que todas as contradições, as aporia , as incertezas dos sofistas, e enfim, o xeque-mate ao qual se viram expostas todas as tentativas por eles atuadas dependiam substancialmente do fato de terem falado dos problemas do homem sem ter indagado de maneira adequada a natureza ou essência do homem, ou ao fato de te-la determinado de modo totalmente inadequado. Pois bem, diferentemente dos sofistas, Sócrates conseguiu fazer isso, e de tal modo, que pôde dar à problemática do homem um significado decididamente novo...Que é o homem? A resposta socrática é inequívoca: o homem é a sua alma...”
Estabelece-se desta forma a dicotomia entre o corpo e a alma, agiganta a Filosofia e faz “um divisor de águas” entre ele e os seus antecessores. Não obstante a noção de psique, já conhecida, mas de forma diferenciada quanto ao seu entendimento, mas suficiente para que se delineasse com a evolução da filosofia mais aprimorada. Assim esta evolução se dá da seguinte forma como afirma Giovanni Reale “... em Homero, a alma era o espírito no sentido de “fantasma”, que abandonava o homem na sua morte, para ir como vã e inconsciente larva, vagar sem objetivo no Hades; para os órficos, ao invés, era demônio que em nós expiava a culpa, e que era tanto mais ele mesmo quanto mais se separava do eu consciente ( portanto, no sono, na perda dos sentidos e na morte); para os físicos, era o princípio ou um momento do princípio ( portanto, água, ar m fogo) ; enfim para os poetas era algo indeterminado e, em todo caso, jamais teoricamente definido. Ao contrário, a alma para Sócrates, coincide com a nossa consciência pensante e operante, com a nossa razão e com a sede da nossa atividade pensante fé eticamente operante...”
O que Sócrates entendia exatamente por alma e por “conhecer-te a ti mesmo”? Seria conhecer as próprias limitações, capacidade, um íntimo a ser reformado? Sócrates entendia a alma como itinerário de uma propositura ontológica, um referencial seguro, afirmação de uma epistemologia que se fundamenta no ethos próprio da alma,como que impresso na natureza da alma humana a espera de ser encontrado, parece que este era seu esforço e que conseguia eclodir a partir do discurso oral o que há de comum em todos os homens Jean Brun nos lembra Hegel da Filosofia do Espírito “ O conhecimento do espírito é o conhecimento mais concreto e, por conseguinte, o mais alto e mais difícil. “conhecer-te a ti próprio”, aí está um preceito que não tem nem em si mesmo, nem no pensamento daquele que o proclamou primeiro, a significação de um simples conhecimento de si próprio, isto é de um conhecimento das aptidões, do carácter, das tendências e das imperfeições do indivíduo, mas de um conhecimento do que há de essencialmente verdadeiro no Homem, como também do verdadeiro em si para si, isto é, da própria essência enquanto espírito”
Assim, no que se refere a espiritualidade de Sócrates, é mister verificar o que ele entende por alma e virtude.
Tanto a alma quanto a virtude estão intrinsecamente ligadas, como indica Aristóteles “...Sócrates, por conseguinte, pensava que as virtudes fossem regras ou princípios racionais (pois a todas elas considerava como formas de conhecimento científico) enquanto nós pensamos que elas envolvem um princípio racional” .Assim sendo, a diferença entre os homens está na sua alma ou ainda, torna-se melhor quando conhece a sua alma. Conhecer a sua alma é fazer ciência, é diferenciar-se e mais importante “individuar-se”, “singularizar-se”*desta forma “... se o homem distingue-se pela sua alma, e se a alma é o eu** consciente e inteligente, então a areté, ou seja, aquilo que atualiza plenamente essa consciência e inteligência, não pode ser senão a ciência e o conhecimento” .
O que pretendo afirmar é que para o filósofo, espiritualidade está ligada com a ciência ( )ou melhor,praticar a espiritualidade é fazer ciência; é encontrar o caminho da virtude, por conseguinte, o caminho da felicidade, e não pode ser conseguida fora do âmbito da racionalidade.
Sua religiosidade portanto, está vinculada ao exercício da razão e da ciência e não se deve supor que tenha nela elementos estranhos a cultura grega como às seitas órfico-dionisíacas como indica Werner Jarger “... não se pode explicar este fenômeno dizendo que as formas socráticas do discurso e da representação derivam de uma seita religiosa que se pode afastar a seu bel-prazer como estranha aos Gregos, ou aceitar como oriental. Tratando-se de Sócrates, o mais sóbrio dos homens, seria verdadeiramente absurdo pressupor a existência de uma influência eficaz destas seitas orgiásticas nas camadas irracionais da sua alma” .
Talvez sua serenidade diante da morte seja de fato um elemento que representa a profunda racionalidade de Sócrates diante da sua espiritualidade, e que, apesar das seitas que haviam em sua época, ou da própria religião do Estado, não foi à elas que apelou em suas lembranças, mas à sua razão como nos legou Platão: “E eis outras razões para se esperar firmemente que a morte seja um bem. Das duas, uma; ou bem aquele que morreu é reduzido ao nada e não tem mais nenhuma consciência de nada ou, então, de acordo com o ;que se diz, a morte é uma transformação, um deslocamento da alma do lugar de onde estamos para um outro lugar. Se a morte é a extinção de todo sentimento e se assemelha a um desses sonos em que não se vê nada, morrer é uma dádiva maravilhosa. Se, de fato devêssemos escolher uma dessas noites em que dormimos sem nem mesmo ter tido sonho para compará-la com as outras noites e com os outros dias de sua vida e se, após um exame, fosse preciso dizer o quanto se viveu em termos de dias e noites melhores e mais agradáveis do que aquela noite, imagino que não apenas os indivíduos simples mas também o próprio Grande Rei achariam que eles são fáceis de contar em comparação com outro dias e com as outras noites...deve-se encontrar lá juízes verdadeiros, aqueles que, segundo dizem prestam a justiça lá embaixo Minos, Radamante, Triptoleme e todos aqueles semi-deuses que foram justos durante suas vidas...”
Distante da religião do Estado, o filósofo estabelece um problema teológico; não participa da visão dos pré-socráticos nem dos sofistas. Os primeiros “identificaram o Divino com o Princípio cosmogônico e, em todo caso, interpretaram-no em função das suas categorias cosmológicas...” e os segundos desembocavam ou não no ateísmo, além de que Sócrates não lhe eram muito simpático mediante diferenças fundamentais de ordem ontológica. Sócrates, segundo indica a historiografia, teria portanto,desdobrado a posição de Xenófanes de unificar o Divino “... Xenófanes concebia Deus em chave cosmológica...” e Sócrates pensa este mesmo Divino unitário sob a óptica da ética, e mais, “...Ele extraiu de Anaxágoras e de Diógenes de Apolônia ( e, talvez, também de Arquelau) a noção de Deus como inteligência ordenadora, libertando-a, contudo, dos pressupostos físicos sobre os quais se fundava naqueles filósofos, e centrou o seu discurso sobre as obras de Deus, substituindo às motivações físicos -ontológicas, motivações de caráter prioritariamente ético ou, em todo caso, de origem tipicamente moral “
Creio ter exposto ao menos de forma sucinta, alguns pontos importantes da vida e pensamento de Sócrates, sua participação na vida cívica de sua cidade e alguns elementos de seu pensamento, contudo como dizem a maioria dos autores, tal edifício é quase impossível, mediante as dificuldades historiográficas até mesmo para os grandes intérpretes.


Conclusão

Sócrates será sempre um grande mistério, e também será em termos historiográficos a própria agonia daqueles que gostariam de o conhecer melhor. Cabe-nos contentar –nos com os poucos relatos que nos deram aquelas felizes figuras de seu tempo que souberam dar-lhes o valor merecido. Contentar-nos-emos com suas homenagens e como nossos porta vozes da gratidão a Sócrates na Antigüidade, procuraremos, também, sê-los na modernidade procurando compreender que, se não em conteúdo gnosiológico, pelo menos como sermos melhores seres humanos a seu exemplo.
Deverá ficar em uma nova oportunidade, um estudo melhor sobre esta encantadora figura de Sócrates devido a modicidade deste mestrando e o objetivo deste trabalho, mas creio que à ele, terei que me remeter e por muito tempo.


BIBLIOGRAFIA


REALE,GIOVANNI. História da Filosofia Antiga v. 1. 1993. Edições Loyola, São Paulo.

MOSSÉ,CLAUDE. O Processo de Sócrates. 1987.Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro.

JARGER, WERNER. Paidéia-A Formação do Homem Grego. 3a ed.. Martins Fontes, São Paulo, 1995.

BRUN, JEAN. Sócrates. 1ª ed .Publicações Dom Quixote, Lisboa. 1984.

GILSON, ETIENNE. A Filosofia na Idade Média.1a edição.Martins Fontes. São Paulo, 1995.

PETIT, PAUL. Historia Antiga. Editora Difel. 1976.

BUARQUE DE HOLANDA,SÉRGIO. História da Civilização. 6a ed, Editora Nacional, São Paulo.1979.

ARISTÓTELES. Os Pensadores. 1a ed. Abril Cultural.1973.

SÓCRATES. Os Pensadores 1a ed. Abril Cultural. 1973.
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PLATÃO. Os Pensadores. 1a ed. Abril Cultural. 1973.

WOLFF, FRANCIS. Sócrates. 1a edição. Editora Brasiliense. 1982.

SCHWAB,GUSTAV. Odisseus. As mais Bellas Lendas da Antigüidade segundo seus poetas e narradores. V.5. Traduzidas da 38a edição Alemã de Gotthold Klee, 1921. Companhia Melhoramentos de São Paulo.

Um comentário:

Mande um comentário, caso seja possível retornarei.
Grato

Da Chauí!

Eu não gosto da tal Marilena Chauí, ela sacaneou meu amigo, mas tenho que reconhecer que pelo menos inteligência ela tem! Caráter? Bom...... pobre Márcio!!!


IDEOLOGIA E INCOSNCIENTE

A ideologia se assemelha a alguns aspectos do inconsciente psicanalítico. Há, pelo menos, três semelhanças principais entre eles:

1. O fato de que adotamos crenças, opiniões, idéias sem saber de onde vieram, se pensar em suas causas e motivos, sem avaliar se são ou não coerentes e verdadeiras;


2. Ideologia e inconsciente operam através do imaginário ( as representações e regras saídas da experiência imediata) e do silêncio, realizando-se indiretamente perante a consciência. Falamos, agimos, pensamos, temos comportamentos e práticas que nos parecem perfeitamente naturais e racionais porque a sociedade os repete, os aceita, os incute em nós pela família, pela escola , pelos livros, pelos meios de comunicação, pelas relações de trabalho, pelas práticas políticas. Um véu de imagens estabelecidas interpões-se entre consciência e a realidade.


3. Inconsciênte e ideologia não são deliberações voluntárias. O inconsciente precisa de imagens, substitutos, sonhos, lapsos, atos falhos, sintomas, sublimação para manifestar-se, ao mesmo tempo, esconder-se da consciência. A ideologia precisa das idéias-imagens, da inversão de causas e efeitos, do silêncio para manifestar-se os interesses da classe dominante, e escondê-las como interesse de uma única classe social.

CHAUÍ,MARILENA. Convite à Filosofia. Ed. Ática.13ªediçÃO. PAG 176

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