
O Amor e a Educação
Na confusão de um mundo carente de respostas, o Amor passa desapercebido. Rico em significados construtivos é a riqueza da natureza humana que desaparece. Absorvido pela mídia, adquire dois significados limitadores de suas possibilidades humanas: O dogmatismo e o do sensualismo consumista.
Limitado, portanto a estes dois significados, é a própria possibilidade do Amor no mundo que se esvai.
A consciência desapercebida molda-se ao modo de vida cotidiana e o Amor passa a ser domínio ou da fé ou do sensualismo consumista.
É fácil compreender que em uma sociedade consumista, este modo de vida, seja o mais justo e aceitável, mas não leva o espírito a estágios mais elevados de consciência de si mesmo e da natureza que o identifica com o Todo Universal. A agilidade de nosso tempo, o corre-corre, a desatenção com a vida, situação necessária para que o sistema desumano sobreviva, não facilita em nada a construção de espíritos mais lúcidos que possam caminhar para as esferas mais sublimes do modo de vida da existência humana e inclusive de sua compreensão. Por espírito mais lúcido entendo aquele que se esforça para encontrar a si mesmo; e para isso, ele necessita do esforço de “conhecer-se a si mesmo” para compreender toda gama de elementos capazes de faze-lo individuado e mais autêntico, e portanto, mais consciente de que tem uma consciência a ser respeitada
Como já dizia o bom e velho Sócrates ”Conhece-te a ti mesmo”, portanto, conhecer-mos a nós mesmos é o gigantesco esforço que o espírito deve fazer para singularizar-se no coletivo; é dar a si próprio horizontes mais significativos. Guiar a vida por aquelas diretrizes estranhas , do dogmatismo e sensualismo consumista, nos faz sofrer por causa da solidão, dos recursos materiais, da não presença da expressão de Amor no mundo ( sem solidariedade), falta do outro e enfim, falta de sim mesmo.O mundo nesta condição assemelha-se a uma massa disforme e sem controle, onde os seus elementos constitutivos, nós mesmos, nos tornamos anônimos , juntos , mas sem nos comprometermos com nada.
O Amor é o único elemento identificador do indivíduo no coletivo (hajam vistas aos grandes heróis da humanidade) sem o Amor somos apenas parte integrante¸ mas não agente de transformação muito menos de transformação pela educação. O Amor desintegra o coletivo e torna cada indivíduo, raro e necessário. “O Amor é capaz de romper as cadeias da existência empírica (na materialidade) .
Eu prefiro pensar em Formação no sentido grego, Paidéia, um tipo de Formação que como afirma Werner Jaeger “... a medida que avançava seu caminho [ a formação da sociedade grega], ia-se gravando na sua consciência, com clareza cada vez maior, a finalidade sempre presente em que a sua vida assentava: a formação de um elevado tipo de Homem”(2) , mas não a partir de um forma dogmática e adaptada em laboratório como queriam os nazistas, mas da forma mais sublime do encontro do Homem consigo mesmo , este deve ser o esforço de educador e Platão também já apontava para este caminho, na República que veremos em outra edição deste jornal“... O princípio espiritual dos Gregos não é o individualismo, mas o humanismo...” (2). Não pretendo me referir a um tipo de Homem humanitário, pois este só existe em função de um tipo de Homem desumano, mas um sentido maior de compreensão de Homem.
A formação do Homem grego, tem como primado a “ verdadeira forma humana, com o seu autêntico ser.”(2). Tal é a genuína Paidéia, e se nós educadores (professores e pais ), se quisermos sonhar com um mundo melhor, teremos que identificar em nós os males que nos aflige, descobrir suas origens , que oprimem nosso espírito, engessam nosso raciocínio, e nos obrigam a sermos sempre os mesmos mantenedores de uma sociedade que parece necessitar de violência para existir.
Dizem os Sociólogos que o “Homem é o reflexo de seu meio” justificando assim a violência (agressão, fome, desemprego, egoísmo, inveja etc) eu concordo, mas se fizermos do nosso meio um abrigo do Amor este Homem será também reflexo de Amor.
Conhecer-mos a nós mesmos é o primeiro passo.
Rafael Miceli
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